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5 razões para não usar o Google Earth em seus projetos

As imagens de satélite de alta resolução estão cada dia mais acessíveis para aqueles que necessitam analisar as transformações que estão ocorrendo na Terra.

Desde o lançamento do Google Earth, o acesso a informação geográfica por imagem de satélite facilitou a manipulação e conhecimento por vários tipos de usuários, não somente aqueles profissionais da área de geotecnologias.

Foto: Sydney Australia – Sensor WorldView4 – Capture date: January 8, 2017

No início, vários usuários chegavam a questionar se aquela imagem vista no computador era “ao vivo”, ou seja, naquele momento em que se navegava pelo sistema visualizando imagens da Terra. Tal questionamento era considerável devido à resolução espacial das imagens, onde se identificava perfeitamente os alvos/feições do cotidiano das pessoas.

Desde construções ou loteamentos novos até sinalização viária do município, em qualquer lugar do mundo.

Qual é o problema de usar o Google Earth?

Atualmente o Google Earth é utilizado em grande parte dos estudos e projetos que envolvem a aquisição de dados a partir de imagem de satélite.

Vale lembrar que a utilização das imagens oriundas do Google Earth tem limites legais e contratuais, podendo causar transtornos para quem as utiliza de forma ilegal (estamos falando do famoso termo de utilização, que poucas pessoas leem e/ou dão a devida atenção).

Você sabia que as imagens obtidas com o Google Earth ou Google Earth Pro estão sujeitas a termos de uso bem restritivos? Não, você não pode utilizá-las de forma legal, com downloads ou “tirar um print”.

Copiando de forma literal do termo de uso, destacamos as seguintes questões:

a. redistribuir ou vender qualquer parte do Google Maps/Google Earth ou criar um novo produto ou serviço com base no Google Maps/Google Earth (exceto se utilizar as APIs do Google Maps/Google Earth em conformidade com os respetivos Termos de Utilização);

b. copiar o Conteúdo (exceto se o Utilizador tiver permissão para o fazer de acordo com o exposto na página de permissões Utilizar o Google Maps, o Google Earth e o Street View ou com a lei da propriedade intelectual aplicável, incluindo a "utilização razoável");

c. transferir o Conteúdo em massa ou criar feeds em massa do mesmo (nem permitir que alguém o faça);

d. utilizar o Google Maps/Google Earth com a finalidade de criar ou expandir qualquer outro conjunto de dados relacionado com mapeamentos (incluindo um conjunto de dados de mapeamento ou navegação, uma base de dados de fichas de empresas, uma lista de correio ou uma lista de telemarketing) para utilização num serviço de substituição ou num serviço consideravelmente semelhante ao Google Maps/Google Earth;

Para saber mais do termo de utilização, indicamos a leitura direto do fornecedor: Termos de Utilização Adicionais do Google Maps/Google Earth.

Em suma, você não pode utilizar o Google Earth para:

  1. Criar mapeamentos derivados das imagens de satélite (traçar em cima da imagem);
  2. Vender as imagens diretamente ou indiretamente (processos ambientais, etc);

Existem diversos outros problemas de ordem técnica com o uso do Google Earth, mas isto é assunto para outra postagem.

5 razões para não usar o Google Earth em seus projetos

Metadados

Os metadados são as informações técnicas das imagens, onde consta dados daquela cena coletada, como data de coleta, cobertura de nuvem, coordenadas de localização, etc.

Estão presentes em todos fornecedores de imagem de satélite e são as informações necessárias para comprovar o registro de determinada imagem.

Programação de Imageamento

As imagens de satélite podem ser adquiridas em duas situações:

a. Acervo – são aquelas áreas que já houve coleta de determinado satélite e ficam disponíveis para compra. Essas imagens possuem menor custo quando comparadas as imagens programadas, mas não há cobertura de todas as áreas.

b. Programado – através da escolha de uma área e data, pelo cliente, a operadora do satélite faz a programação de coleta exclusiva para aquela cena. É um pouco mais cara que a imagem de acervo, mas é uma imagem inédita, de altíssima qualidade, feita exclusivamente para você.

Bandas Multiespectrais

As bandas multiespectrais possuem a vantagem de de facilitar na identificação dos alvos na Terra, a partir da composição de cores da imagem. Basicamente, pela diferença de frequência das bandas do sensor, os alvos possuem respostas espectrais diferentes, permitindo assim melhor análise da imagem.

Resolução Espacial

A resolução espacial das imagens disponíveis no GoogleEarth não possuem a resolução espacial daquelas adquiridas pelo fornecedor, o que pode prejudicar os estudos, principalmente na identificação dos alvos.

Marca D’Água

Quando se utiliza imagem de satélite do Google Earth em estudos ou projetos, há uma marcação em branco na imagem informando ser uma foto/captura de tela do Google Earth.

Em alguns casos pode atrapalhar na identificação de algum ponto na imagem e demonstrar a utilização não autorizada da imagem.

Na próxima postagem apresentaremos alguns exemplos dos metadados e as diferenças de resoluções espaciais dos produtos DigitalGlobe.

Esse conhecimento é muito importante na hora de aquisição de imagem de satélite, pois a finalidade de cada projeto pode ser determinante para escolha certa da imagem de satélite.

Qual é a alternativa?

A Geoadmin, empresa de soluções em geotecnologias, iniciou em 2018 uma parceria com a DigitalGlobe para o fornecimento dos produtos da empresa, tanto imagens de satélite de alta resolução como serviços de processamentos de dados geográficos.

No gif abaixo, mostramos a diferença das imagens do Google contra a imagem em alta resolução, no formato que ela vem da DigitalGlobe

comparação

Solicite um orçamento com a Geoadmin

Como solicitar suas imagens?

A maioria das imagens que se visualiza no programa Google Earth são fornecidas pela DigitalGlobe, empresa com sede nos Estados Unidos e líder mundial no mercado de imagens de satélite de alta resolução.

Atualmente a constelação da empresa conta com os seguintes satélites, todos de alta resolução:

  • WorldView-1 (0,50m)
  • WorldView-2 (0,46m)
  • WorldView-3 (0,31m)
  • WorldView-4 (0,31m)
  • Geoeye (0,41m)
  • QuickBird (0,61m)
  • Ikonos (0,82m)

SIG – Brasil – Como a implantação da INDE poderá auxiliar no seu dia-a-dia trabalhando com produção cartográfica?

O avanço da tecnologia da informação nos últimos 20 anos proporcionou grande impacto na vida dos profissionais na área da cartografia. A cartografia digital, com a evolução dos softwares e equipamentos de coleta de dados transformaram todo processo de produção cartográfica, tornando-o mais rápido e eficiente.
Com tanta facilidade e acesso a estas novas tecnologias, os produtos gerados nas diversas esferas e pelos diversos profissionais constituem uma enorme fonte de informação. Mas, mesmo com tanta informação gerada, não conseguimos encontrar com facilidade aquele base cartográfica específica de hidrografia ou sistema de transportes. E quando encontramos, muitos arquivos estão sem informações essenciais (fonte do levantamento, método utilizado, etc…) e outros apresentam tabela de atributo sem nenhuma informação correta ou estruturada. Para normalizar e organizar esta situação, a implantação da INDE (Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais) torna-se essencial para melhor gestão das informações geográficas existentes no Brasil.
######O que é a INDE?
A INDE é o “conjunto integrado de tecnologias; políticas; mecanismos e procedimentos de coordenação e monitoramento; padrões e acordos, necessário para facilitar e ordenar a geração, o armazenamento, o acesso, o compartilhamento, a disseminação e o uso dos dados geoespaciais de origem federal, estadual, distrital e municipal.” Tem como principais objetivos:

  1. promover o adequado ordenamento na geração, armazenamento, acesso, compartilhamento, disseminação e uso dos dados geoespaciais;
  2. promover a utilização, na produção dos dados geoespaciais pelos órgãos públicos das esferas federal, estadual, distrital e municipal, dos padrões e normas homologados pela Comissão Nacional de Cartografia – CONCAR; e
  3. evitar a duplicidade de ações e o desperdício de recursos na obtenção de dados geoespaciais, por meio da divulgação da documentação (metadados) dos dados disponíveis nas entidades e nos órgãos públicos das esferas federal, estadual, distrital e municipal.

Um desafio grande da INDE está na utilização dos padrões e normas homologados pelo CONCAR nos órgãos públicos, principalmente naqueles onde não há setores ou profissionais capacitados para gestão de dados geográficos. Atualmente, o Exército Brasileiro, a partir da DSG (Diretoria de Serviço Geográfico) tem o encargo de elaborar Normas Técnicas para o Sistema Cartográfico Nacional no que concerne às séries de cartas gerais das escalas de 1:250.000 e maiores (Decreto-Lei 243, de 28/02/1967, Art. 15, §1º, item 2.). As normas elaboradas estão disponibilizadas no portal do portal do exército (http://www.geoportal.eb.mil.br/index.php/inde2), caso você ainda não conheça segue descrição:

ET-EDGV – Especificação Técnica para Estruturação de Dados Geoespaciais Vetoriais (define um modelo conceitual);

ET-ADGV – Especificação Técnica para a Aquisição de Dados Geoespaciais Vetoriais (define regras de aquisição da geometria dos dados);

ET-PCDG – Especificação Técnica de Produtos de Conjuntos de Dados Geoespaciais (define os padrões dos produtos vetoriais e matriciais);

ET-RDG – Especificação para a Representação de Dados Geoespaciais (garante a consistência na representação das classes de objetos);

ET-CQDG – Especificação Técnica para o Controle de Qualidade dos Produtos de Conjuntos de Dados Geoespaciais (define os procedimentos para o controle de qualidade dos produtos);`

Caso você utilize QGIS na produção de dados cartográficos, instale o plugin DSG Tools para utilizar funcionalidades de banco de dados (criar base dados no modelo da INDE) e camadas wms, com imagens de satélite rapideye e landsat e camadas de cartas topográficas, tudo disponibilizado pelo exército.
dsgtools

Na próxima postagem iremos demonstrar como produzir dados vetoriais a partir do modelo da EDGV, utilizando um banco de dados spatialite criado pelo DSG Tools.

Maiores informações sobre assunto você econtra aqui:

http://www.inde.gov.br/
http://www.geoportal.eb.mil.br/index.php/inde2